A Força da Ancestralidade dia da consciência negra
- Palavras Mágicas Editora
- 20 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

Algumas histórias não chegam anunciadas.
Elas simplesmente se aproximam, discretas, durante um dia comum e com a força de algo muito maior do que nós. Foi isso que me ocorreu no encontro com o sr. Tino, um senhor quilombola de 80 anos. Um encontro que começou como uma simples tarefa de trabalho e terminou como um daqueles episódios que nos lembram de onde viemos, quem somos e o que continua vivo apesar do tempo.
A cena foi simples: um senhor que me recebeu com um sorriso. Mas não era um sorriso qualquer. Era um sorriso que carrega memórias. Um sorriso que vem de longe, desses que nos fazem perceber que a vida não começa no agora; ela vem sendo construída muito antes que tivéssemos chegado.
Nos olhos dele havia um brilho que não se explica apenas com palavras. Era como se ali coubesse a história inteira de um povo. Um povo que desembarcou no Brasil com sonhos desfeitos, mas que, ainda assim, encontrou meios de resistir, de criar raízes, de erguer comunidades, de forjar identidade onde tantos queriam apenas silêncio.
E é justamente nesses encontros aparentemente pequenos que a ancestralidade nos toca, uma força que atravessa gerações, sustentada pela memória de quem recusou desaparecer. Gente que transformou feridas em caminhos, perdas em resistência, lembrança em legado.
Ao final daquela conversa, algo mudou. Não no mundo, mas no olhar de quem escutou. E essa mudança é o primeiro passo de qualquer transformação verdadeira, o reconhecimento de que a Consciência Negra não é uma data; é um movimento, um aprender contínuo.
Celebrar a Consciência Negra é compreender essa travessia, do sofrimento imposto à liberdade conquistada dia após dia; da dor à dignidade; da violência à esperança. É entender que cada pessoa, cada tradição preservada, cada corpo que caminha de cabeça erguida é uma forma de resistência.
E talvez essa seja a maior lição desse encontro tão simples e tão extraordinário, quando nos permitimos ouvir a história viva que existe no outro, algo dentro de nós se reorganiza. E seguimos adiante, mais conscientes, mais inteiros, mais conectados ao caminho de todos aqueles que vieram antes.
A Força da Ancestralidade dia da consciência negra





Comentários